‘Mary and Max’: solitários e especiais

Juro que não foi proposital ter assistido dois filmes seguidos com protagonistas especiais. Após a cinebiografia da autista “Temple Grandin“, assisti à animação “Mary and Max“, sobre a história da garota australiana Mary, que, solitária e com pais distantes, escolhe a esmo um nome na lista telefônica de Nova York e começa a se corresponder com o portador de Síndrome de Asperger (um tipo de autismo) Max.

A técnica de animação (stop motion) e o texto, com muita narração em off, sugerem, à primeira vista, um filme infantil. Mas não se enganem. No máximo, “Mary and Max” poderá ser entendido pela platéia infanto-juvenil para cima, pois aborda temas -mesmo que por sugestão ou metáforas sutis- adultos, como sexualidade, homossexualidade, alcoolismo, além do principal, que é a visão do mundo que tem uma pessoa especial.

A trama sustenta-se toda sobre a troca de cartas entre a jovem Mary e o obeso Max – ambos solitários – durante décadas. No início, ela ainda é criança. A visão de mundo de ambos é muito similar, simples e pura. À medida que Mary cresce, porém, suas cartas vão impondo ao limitado Max questões humanas mais complexas, uma das quais chega a detonar nele uma crise que termina em sua internação numa instituição por oito meses.

O filme trata disso com tanta normalidade, que nos desarma de preconceitos. Sem falar que é encantadora a forma como os dois solitários e diferentes – cada um a seu modo – se ajudam, se entendem e se amparam mutuamente mesmo a oceanos de distância.

Está aí outro filme imperdível sobre diferentes maneiras “especiais” de ver e entender o mundo – ou, ao menos, o maior perímetro possível além do nosso umbigo.

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