O cinema precisa descobrir Ursula K. Le Guin

Ursula k Le GuinEm um dos meus primeiros textos postados neste blog comento que tive acesso a muitas obras literárias graças a filmes que assisti (procurando as obras que os inspiraram ou simplesmente os títulos citados em seus diálogos).

Pois bem! Acabo de encontrar outra preciosidade literária, não por acaso citada em uma comédia romântica que flerta descaradamente com a literatura: “O Clube de Leitura de Jane Austen”. Um dos personagens – o único homem em um grupo de mulheres que se reúne mensalmente para comentar os livros da escritora inglesa – passa o filme todo tentando convencer sua paquera a ler a obra de Ursula K. Le Guin (foto à esquerda), escritora de ficção científica norte-americana sobre quem eu nunca havia ouvido falar antes.

Demorei a me decidir por ler algo de Le Guin porque são poucas as suas obras editadas no Brasil – e as poucas publicadas não estão facilmente disponíveis nos sites em que mais confio para comprar online. Quando, enfim, consegui adquirir “A Mão Esquerda da Escuridão”, sua obra mais elogiada pela crítica, não consegui largar o livro, a não ser para trabalhar.

É ficção científica da melhor qualidade, que não deixa nada a dever a clássicos como “Admirável Mundo Novo”, por exemplo. Le Guin cria um mundo, geologicamente muito semelhante ao que teria sido a Terra na Era Glacial, habitado por seres humanos ambissexuais (todos têm o sexo feminino e masculino e podem procriar) e com um código de conduta completamente estranho a todos os que conhecemos.

Neste mundo pousa um humano do sexo masculino, enviado por uma entidade interplanetária com o objetivo de propor a seus governantes sua adesão à aliança, composta já por nove planetas. O humano enfrenta o descrédito, o preconceito, os choques cultural e psicológico e ainda a solidão de pregar novas idéias em um mundo completamente diferente dos que conhece.

Não darei mais detalhes para não estragar a surpresa de quem aceitar a dica, mas posso adiantar que os regimes de governo e as “realidades” inventadas por Le Guin no livro vão provocar as mais doidas e impensáveis reflexões, mesmo nas mentes mais abertas.

E adooooooro ser surpreendida por novos questionamentos, por isso a ficção -e todas as suas metáforas- me encantam.

Fica a dica de leitura e um desafio maior aos diretores de cinema de todo o mundo: ATREVAM-SE a filmar Ursula K. Le Guin.

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