Sobre Amazônia e a ‘arte de mentir com números’

Assistindo a um vídeo em que pecuarista critica a defesa da Amazônia e das áreas indígenas, entendo perfeitamente a expressão “a arte de mentir com números”, usada entre jornalistas. Ele interpreta à sua maneira estatísticas reais sobre preservação ambiental: compara os 30% de áreas de preservação do Brasil contra os menos de 10% de outros países de dimensões equivalentes pra defender o avanço da pecuária sobre elas e as terras indígenas. PIOR: diz que “não é que não querem ‘dar’ (DAR?!?!?!) terras aos índios; é que não cabem (OI???)”.

Em primeiro lugar, não se trata de “dar” terras aos índios, mas de manter um mínimo do que já era deles muito antes de nossos antepassados europeus chegarem invadindo. Em última análise, não são eles, os verdadeiros donos, que não cabem em sua própria terra, cara-pálida!!!

Segundo: reduzir a questão ambiental a uma competição de qual país preserva mais, além de mesquinho e de uma irresponsabilidade colossal, é uma BURRICE, porque o mundo ameaçado de extinção é um só. Todos os seus habitantes, independente de nacionalidade, vão morrer se não preservarmos nossos recursos naturais. Desse ponto de vista, a Amazônia está no território brasileiro, mas é um patrimônio da humanidade. A floresta elimina da atmosfera um volume gigantesco do gás carbônico responsável por aumentar o buraco na camada de ozônio, que deve proteger o planeta dos gases causadores do aquecimento global – o fenômeno, aliás, já é responsável por catástrofes naturais em todo mundo, e a (cada vez menos) longo prazo, pode extinguir nossos recursos naturais e, consequentemente, nossa espécie.

Isto posto, DESCONFIE de qualquer pessoa que use estatísticas reais para defender ponto de vista que beneficie só uma classe econômica. E INFORME-SE com mais de uma fonte antes de se posicionar a favor ou contra questões que afetam toda a sociedade.

Manipulação de informações reais não chega a ser fake news, mas também engana.

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