Uma relação de amor e ódio

Desde que passei a trabalhar em casa, tenho tido uma relação de amor e ódio com meu telefone fixo.

Ele é um amigão quando preciso localizar minhas fontes, em números fixos ou móveis (tenho um plano legal, de ligações ilimitadas, e tal…), mas, Cara! Vira meu pior inimigo quando preciso sentar pra costurar aquele texto enorme, cheio de depoimentos e informações, que geralmente está com o prazo de entrega quase estourando.

Quando o “trem” toca mostrando um número desconhecido no visor, você até sabe que tem 99% de chances de ser um serviço de telemarketing. Mas vai que não, e você perde de falar com um contratante em potencial, né?

No primeiro “alô” sem resposta, você já suspeita que está sendo atendida por um daqueles computadores que a deixam esperando como uma idiota, enquanto procura o ramal de um atendente de telemarketing disponível pra passar sua ligação.

Maaas… vai que é um parente ou amigo distante, que está ligando de um telefone público, de um lugar inóspito e precisa desesperadamente falar com você, né? (trouxa!).

No começo, eu ainda esperava a atendente terminar de falar aquele texto enorme dela em velocidade de cruzeiro. Só depois declinava, educadamente, do que quer que ela tivesse para me oferecer.

Mas o diabo é que esse tipo de profissional é treinado para não aceitar “não” como resposta (ih… deu eco!). Então, uma hora você fatalmente tem que fazer a grosseria de desligar na cara da pessoa.

E não adianta pedir pro atendente tirar seu número do mailing. Não adianta ligar e desligar. O computador vai continuar discando seu número até ele conseguir passar sua ligação pra p… de um atendente.

A gente acaba descobrindo que serviço de telemarketing é uma praga contra a qual não existe defensivo. Você pode até reclamar na agência reguladora dos serviços de telefonia – sua queixa fica lá, bonitinha, engordando as estatísticas de reclamações -, mas vão continuar te ligando.

Quando eu soube que o Procon tinha um sistema de cadastro de consumidores que desejam bloquear seus números para esse tipo de ligação, fiquei suuuper feliz! Fiz meu cadastro correndo, antevendo tardes inteiras de redação tranquilas em frente ao laptop.

Mas qual! Descobri que o bloqueio não é automático. As empresas só são notificadas a tirarem aqueles números de seus mailings. Daí terem a boa vontade de respeitar…

Hoje, uma dessas me interrompeu na horinha que eu colocava no papel uma daquelas ideias ótimas, que você acha que vai deixar seu texto “mara” (às vezes deixa mesmo!).

De novo, o número desconhecido no visor. De novo três “alô” pra ninguém, até irromper aquele barulho de fundo característico de serviço de telemarketing e a voz festiva de uma atendente se apresentando.

Quando ouço o nome da empresa, então (não me pega nunca mais sua NET dos infernos!), não tive dúvidas. Desliguei, internamente me convencendo de que economizava o meu tempo e o da moça.

Dali a minutos, novo toque. DESCONHECIDO no visor. Ainda me dou ao trabalho de atender. Dessa vez, sem silêncio. Direto o barulho característico de fundo, uma gargalhada feminina em primeiro plano e… tu tu tu tu… Desligou.

Devia ser a operadora de telemarketing me dando o troco.

Não fiquei brava. Na verdade, descontraí num riso divertido. “É justo”, pensei comigo.

Espero que a atendente tenha se sentido melhor depois disso… e que me deixe em paz!

 

Um comentário

  • Gisele Ganade

    Isso! Concordo, apoio e assino em baixo hahaha coisa irritante e invasiva, mas é profissão de muita gente, né? Contanto que não liguem pra mim podem exercer a profissão de boa! Hahaha

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