Valeu, Revide!

Quando fui admitida na Revide, em janeiro de 1992, havia acabado de dançar no baile de formatura de minha turma de Jornalismo na Unaerp. Já trabalhava há dois anos em um jornal semanal que se confundia com o laboratório de redação da faculdade. Mesmo assim posso dizer que, quando bati à porta do Murilo Pinheiro pedindo uma chance na revista, ainda era, em tudo – emoção, inexperiência, medos -, uma autêntica “foca” (gíria da área para jornalista inexperiente).

O que moveu minha coragem foi a vontade de exercitar aquele modelo de reportagens analíticas que, à época, a Veja fazia com muita qualidade (e sem sensacionalismo!) e a Isabel Farias queria imprimir na Revide.

Se tivesse, então, a mínima ideia das “feras” com as quais trabalharia naquela redação, jamais teria me atrevido (ainda bem que me atrevi!). Trabalhei ao lado da Matilde Leone, que já admirava muito! Do saudoso José Rubens da Silva, veterano que me acolheu como a uma colega de seu nível. Da Janice Kiss, que andava às voltas com suas primeiras aulas de alemão. E com o querido Júlio Sian, amizade que levei pra vida toda. Pouco tempo depois de admitida, eu ganharia como colegas de redação professoras que tinha no mais alto grau de admiração: Carmen Cagno e Adriana Canova – como tremi de medo! E como aprendi com elas!

Não pensem que esta foca teve vida fácil entre essas feras. A inexperiência me faria ouvir muitas críticas, ter textos retalhados e chorar de frustração. Se soubesse, na época, o quanto aquilo tudo estava me ensinando, teria sofrido menos. Mas cada vez mais fui conquistando minha assinatura no alto de uma reportagem – era o prêmio estipulado para os textos pouco modificados pelo exigente editor.

Folheando meus arquivos, consigo me orgulhar de algumas reportagens que assinei. Entre elas “Laços de brutalidade”, na qual delegados e promotores me municiaram com dados suficientes para concluir que, já naquela época, a violência contra a mulher ocorria, majoritariamente, dentro da família e era muito subnotificada em Ribeirão. Gosto de pensar que este quadro melhorou, mas sabemos que ainda está longe do ideal.

Com o tempo, aprendi a me reconciliar com o fato de que, às vezes, apenas denunciar problemas numa reportagem pouco ajuda. Em outras, é um bom começo. O que importa é se, ao colocar cada ponto final, sentimos que cumprimos o objetivo que nos fez seguir esta profissão – no meu caso, contribuir para abrir os olhos do maior número possível de pessoas.

Saí da Revide para adquirir experiência em outros veículos e acabei indo para outras cidades. A revista seguiu crescendo, virou uma grande editora e, quando voltei, após 15 anos fora, já era uma marca superlativa em Ribeirão Preto.

Orgulha-me ter feito parte dessa história. Mais ainda ter sido convidada a contribuir com reportagens para a Revide Ancienne, novo e ousado projeto da marca voltado para o público 60+.

Mais do que orgulhosa, porém, sou muito grata, viu, Revide!

Que venham outras 1.000!

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