A primeira heroína que eu quis ser

Não lembro quantos anos tinha quando assisti ao primeiro “Star Wars” da minha vida, mas sim o impacto que me causou. Você aí, viciado em qualquer coisa, conhece a sensação: aqueeela da primeira vez que experimentou o prazer que passaria a perseguir pelo resto da vida.

Eu era muito jovem, mas já uma cinéfila presunçosa o suficiente para achar que nenhum roteiro de cinema comercial me surpreenderia mais – vivia a adivinhar os movimentos seguintes das tramas e todos os finais, de tão familiarizada que estava com as fórmulas narrativas do cinemão.

Mas sabe como é viciado… continua “usando a droga” na esperança de reencontrar-se com aquela sensação da primeira vez. E eu a reencontrei várias vezes assistindo à primeira trilogia. Eu sei, vocês, millennials, que já foram torpedeados por todo tipo de simulacro, filmes-homenagens, referências (ou imitações mesmo) de “Star Wars” que vieram depois, devem achar tudo muito “manjado” hoje em dia, mas acreditem: praquela época, foi uma revolução!

Fui surpreendida em muitos aspectos, mas nada me deu mais prazer do que a personagem da princesa Leia.


Leia não precisava ser feminista, pois já sentia-se,
agia e era vista como igual pelo sexo oposto


Naquela década de 1980, eu estava acostumada a assistir mocinhas chorosas e frágeis no cinema e o máximo de “girl power” a que tinha acesso na dramaturgia era a Mulher Maravilha da TV – fortona, heroína, mas derretida por seu sargento Rogers e com um uniforme de maiô decotado e botas de cano alto (alguém aí já viu algum super-herói masculino mostrando a bunda?).

A princesa Leia era REVOLUCIONÁRIA total! Como assim uma heroína guerreira vestida até o pescoço, que nunca chorava ou pulava no primeiro colo masculino ante uma ameaça?

Leia não precisava ser feminista, pois já sentia-se, agia e era vista como igual pelo sexo oposto.

E o que foi aquela despedida dela de seu apaixonado Han Solo, prestes a ser congelado em carbonita e talvez morrer no processo!?! … Nenhuma gota de lágrima, nenhum lamento… E aquele “Eu Te Amo” … originalíssimo… sem a trilha sonora melosa de fundo ou o manjado beijo cenográfico!

E quando ela tenta salvá-lo e vira prisioneira?! … até de coleira no pescoço, acorrentada aos pés de um monstro nojento e babão, mandava pose de “fodona”!

SEN-SA-CIO-NAL!

Não foi a única inovação da franquia, claro (ainda escreverei sobre muitas outras), mas Leia foi a primeira heroína da telona que eu quis ser e – mais importante -, que me surpreendeu totalmente! E isso, meu amigo, pra cinéfilo… é ouro!

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1 comentário

    • Victor Marques - Ribeirão Preto em 9 de abril de 2018 às 17:38
    • Responder

    Vou ter que te parar aí, mocinha! rs
    Está mexendo com um assunto muito delicado, e com a fanbase mais chata do universo. Não que eu me inclua, funciona mais como um aviso:

    Han Solo foi sim congelado, porém NUNCA com kriptonita, está confundindo com a maior fraqueza daquele herói que quase mostra a bunda (ou esconde demais, talvez), usando a cueca por cima das calças. O ”elemento” em questão se chama carbonita!

    Na certeza de que se tratou apenas de um erro de atenção, parabenizo pelo ótimo texto. Espero ler mais desses por aqui, até!

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