Terapia de grupo para ‘luluzinhas’

No último final de semana tive o prazer -cada vez mais raro- de me divertir com uma comédia romântica que não me fez sentir-me uma descerebrada. É tênue a linha que separa as comédias de fórmulas batidas daquelas que conseguem, de uma forma inteligente, reinventá-las (porque é impossível o gênero desvencilhar-se delas ou não seria um gênero), nos fazendo simplesmente curtir a história leve sem aquela “vergonha alheia” das cenas piegas ou dos desfechos forçados.

Dei boas risadas com as histórias de “Ele não está tão a fim de você”, que faz piadas da tendência feminina em encontrar desculpas e significados ocultos para a covardia masculina em assumir um fora ou um relacionamento, com toda a franqueza que o sexo oposto merece…

Acredito que todas as mulheres no cinema encontraram pelo menos uma situação reproduzida no filme que já tenham vivido. Descobri que pode ser bem catártico permitir-se dar boas gargalhadas ao se ver neste espelho de celulóide que o cinema às vezes propicia. Para mim foi e espero que tenha sido também para minha amiga Karen, que assistiu ao filme na mesma sessão, duas filas acima, cercada por umas cinco colegas. “Terapia de grupo”, brincou ela, dona que é de um humor espirituosíssimo!

Eu admito que FUI (observem o tempo do verbo) a personagem de Ginnifer Goodwin, um imã de homens que querem simplesmente “pegar” o máximo de mulheres que puderem, enquanto ela só “fica” com os que elege como potenciais namorados. E quando esses candidatos não ligam de volta… quantas desculpas e hipóteses absurdas ela levanta para não enxergar que, enquanto ficava fantasiando um relacionamento, para o cara era apenas mais um “amasso”.

Quem faz Ginnifer acordar para estas evidências é o personagem de Justin Long – uma gracinha, de voz linda e muita expressividade facial, que descobri adolescente em um filme independente chamado “Dreamland” (assistam!).

Para a sorte dela, Justin interpreta a encarnação de uma “raríssima” franqueza masculina, por isso passa a ajudá-la a identificar os caras nos quais não vale a pena apostar. E como não dá para renunciar a todas as obviedades das comédias românticas – vá lá, dá para engolir esta -: claaaaaro que vai surgir uma química entre os dois.

Só cito o perfil da personagem de Ginnifer porque é aquele com o qual me identifiquei, mas a partir das experiências das amigas dela, outras situações se ramificam em um mosaico das dúvidas que assombram os relacionamentos modernos. Tenho certeza que todas encontram similares na realidade. Mas desconfio que a coisa toda só terá graça para quem estas situações já ficaram no passado…

Rir de tudo é muito mais fácil quando a doença não está mais instalada.

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