Categoria: OUTRAS PALAVRAS

Resenhas e comentários sobre cultura em geral.

Viajando com o autor em ‘O Ruído do Inquieto’

Sempre adorei degustar literatura feita por jornalistas. Não se trata de puxa-saquismo contaminado por corporativismo profissional – juro! -, mas de uma predileção sincera e com argumentos. Via de regra, os jornalistas que se aventuram pela literatura costumam nos brindar com o melhor de dois mundos; a ver: escrita objetiva e fartura de informações, aliadas a lirismo e riqueza de vocabulário. Geralmente para narrar histórias muito bem construídas – pois quem vive de narrá-las acaba, eventualmente, aprendendo como criar as melhores.

Em “O Ruído do Inquieto”, primeiro livro do jornalista Gustavo Junqueira, objetividade, farta informação e rico vocabulário estão competentemente combinados em textos que narram, principalmente, experiências pessoais. Entre elas, aventuras reais que a maioria dos mortais não consegue viver sequer uma vez na vida, como escalar os picos do Aconcágua, na Cordilheira dos Andes, do Urus (Peru) e do Kilimanjaro (Tanzânia), sobreviver a um terremoto no Nepal e explorar a inóspita Antártida em um veleiro.

São as maiores aventuras do mineiro radicado em Ribeirão Preto, que se confessa um inquieto de nascença, sempre a planejar um novo desafio, de preferência que lhe teste os limites do corpo e da mente. Mas têm mais e incluem participações em maratonas, como o desafiador “Ironman” e a Maratona de Paris. Tem até uma caminhada exploratória por  locais na capital paulista em que agentes da ditadura praticaram torturas contra opositores do regime militar – só um jornalista pra planejar uma excursão assim, que Gustavo chamou de “Torturismo Tour”.

É sempre enriquecedor saber mais sobre o quanto exige do espírito humano aventuras como as que Gustavo encarou, ainda que pelo “buraco da fechadura” que a escrita do outro nos franqueia. É o que os relatos de seu “O Ruído do Inquieto” nos propiciam, com riqueza de detalhes e escrita irretocável. Pessoalmente, porém, confesso que senti falta, em algumas narrativas, de menos objetividade e mais emotividade. Talvez um pouco daquele tipo de franqueza constrangedora a que os melhores escritores se expõem e que costumam ser premiadas com a cumplicidade total do leitor, graças à conexão que estabelece com o humano em todos nós. O relato sobre o terremoto no Nepal, por exemplo, me deixou com um gostinho de “quero mais” (saber sobre as emoções desencadeadas e os recursos mentais exigidos numa situação de confronto com a morte). O mesmo em “A Reflexão do Urus”, que nos prepara para um relato introspectivo e entrega pouco sobre o conteúdo dessas reflexões em um resumo super objetivo no último parágrafo, como se Gustavo se acanhasse em compartilhá-las (o que é perfeitamente compreensível).

Mas esta é uma impressão pontual, que não se aplica, portanto, ao conjunto da obra. Em “Antártida, O Continente Interior”, por exemplo, não senti falta de nada! O autor me fez desejar estar junto naquele veleiro, observando albatrozes, baleias, icebergs, refletindo sobre a natureza vibrante e em harmoniosa colaboração com o restante da tripulação.

E a prova de que Gustavo sabe combinar objetividade e emoção são meus textos preferidos no livro: além de “Antártida…”, as crônicas “O Casamento do Filho”, “Fliper partiu” e “Kuarenta ehum”, nos quais permite-se compartilhar conosco seus afetos – verdade que em “O Casamento..” ele se esconde na narrativa em terceira pessoa pra não dar muita pinta, mas não faz a menor diferença! (risos aqui): enxergamos seu amor paterno.

A parte “Em versos”, que reúne poemas do autor, também dão pistas de um lirismo latente, às vezes em embate, outras em completa harmonia com sua característica objetividade. Mas deu samba! Quer dizer… poesia.

Que venham outros!

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Playlist

“Sem motivo vou vivendo por aí por viver
Meus valores tão confusos reprimidos por você
Troco passos sem sentido pelas ruas
sem saber aonde ir”

Escrevo com o humor encantado, esparramado na rede imaginária dessa música do Roberto Carlos na voz do Nando Reis, que fez o favor de fazer um álbum inteiro dedicado à obra do “Rei” (“Não sou nenhum Roberto mas às vezes chego perto”). Já amo o Roberto desde criancinha, mas achei de uma covardia varonil juntar ele com uma de minhas paixões musicais de adulta.

E o Nando canta “Vivendo por Viver” com lágrima escondida na voz de veludo, demorando em pausas, com um violino criminoso chorando ao fundo. Só pra ferrar de vez meu coração, já afundado até a última artéria na melancolia alucinógena que certos sons acordam em mim.

Passamos, eu e o Márcio, partes da tarde e noite de ontem hipnotizados por essa descoberta, feita ao acaso, enquanto percorríamos vídeos musicais no youtube – os dois buscando, desesperadamente, desintoxicação dos humores doloridos de ver tanta notícia de morte lado a lado com as de politicagem, ódio e descaso explícito neste tempos de covid-19.

E o Má tirou a música no violão só de ouvir. Nem pediu pra eu pegar cifra na internet. Igual quando viu a Adriana Calcanhotto cantando “Vambora” na live do Sesc, semana passada – sabe que minha voz dá certinho pro tom dela e que adoro!

Entre por esta porta agora/ Você tem meia hora/ pra mudar a minha vida”.

Antes disso, playlist encantada com canções de Marisa Monte, que deve ter roubado a voz de algum anjo, porque… Jesus!… como pode alcançar regiões tão escondidas do ouvido da gente! Ela toda classuda e senhora do palco e da plateia, dando um ar de haute-couture a uns modelitos que em qualquer outro mortal ficariam cafonas… e transformando umas letras quase bobinhas em músicas de transcender com aquela voz… ai! Se eu não fosse eu mesma nesta vida, a única pessoa que ia querer ser seria a Marisa!

Na varanda quem descansa / Vê o horizonte deitar no chão/ Pra acalmar o coração/ Lá o mundo tem razão

E ela cantando com o tremendão, fazendo eu me perguntar por que não ouço tanto “Mais um na Multidão”, dela com o Erasmo e o Brown (“Você pensa em mim, e eu penso em você/ Eu tento dormir, você tenta esquecer/ Longe do seu ninho, meu andar caminho”). E lembro que a Marisa ainda canta Roberto (“De que vale tudo isso se você não está aqui”).

E o Roberto, aliás, vou falar, viu! Vai construir fossa gostosa de sentir assim na Indochina! Quase lamento ele ter parado de sofrer na década de 1990, quando passou a compor umas letras menores – pra gordinha, baixinha, caminhoneiro (afff!).

Pensava nisso quando entrou de surpresa “Veja (Margarida)”, do Geraldo Azevedo, que o Marcelo Jeneci regravou pra novela “Velho Chico” e estava na sequência da playlist do meu Apple Music (Veja você, arco-íris já mudou de cor/ E uma rosa nunca mais desabrochou/ Com esse gosto de sabão na boca). Uma singeleza de ouvir rezando!

E deixa estar que o Geraldo Azevedo também tem umas músicas de arrepiar! Vou nele daqui a pouco, mas, por ora, acho que vou colocar “Vivendo por viver” no repeat (de novo) pra estremecer mais um pouquinho de fossa – que, verdade seja dita, só é gostosa de sentir quando a gente não está sofrendo de verdade por amor.

Parece que hoje o universo todo está mancomunado – ou, talvez, seja a tal da física quântica – pra que todos os sons mais lindos venham salvar a gente de sucumbir à tralha asfixiante desse todo-dia-de-quarentena-da-covid-19-sem-emprego-e-trabalho-free-lancer.

Graças a Deus pela música!

Amém, senhor.

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Diário de Viagem: Granada – II

“Sete dias em apenas uma cidade?”, questionam muitos conhecidos sobre minha primeira viagem internacional. A série “Diário de Viagem: Granada”, a que dou continuidade com esta postagem, vai explicar porque sete dias ainda não foram suficientes para eu conhecer toda a beleza e história da capital da Andaluzia, na Espanha. Estava devendo esses relatos a muitos amigos e leitores. Espero que apreciem.

 

Cheguei a Granada em uma manhã da Primavera europeia.

Minha primeira visão da capital Andaluza, emoldurada pela janela do ônibus que tomei em Madri – deve-se desembarcar no aeroporto Madrid-Barajas, o mais próximo -, foi dos picos brancos de Sierra Nevada, o maciço montanhoso considerado Reserva da Biosfera pela Unesco.  Um dos cartões postais da província, a serra tem seus picos nevados o ano todo, razão pela qual abriga um pueblo (povoado) com estação de esqui.

Por ter reservado três dias para conhecer um pouco da capital espanhola, já cheguei com o olhar encantado pelas belezas arquitetônicas, museus e parques madrilenhos. Mas nada me preparou para a imersão que vivenciaria na secular Granada, fundada pelos mouros na Idade Média e tomada por reis católicos em 1492, mas cujos primeiros vestígios arqueológicos datam do século VII a.C..

Entendi logo porque meus anfitriões – brasileiros que escolheram Granada para curtir sua aposentadoria – decidiram não ter carro na cidade de 234 mil habitantes e 88 km² de área.

O metrô de superfície é limpo, eficiente e fácil de usar. Estacionadas por vários locais públicos, vê-se bicicletas amarelas de um serviço de aluguel por aplicativo, que podem ser usadas e deixadas em qualquer outro ponto para o próximo usuário. Ciclovias acompanham as largas calçadas das principais artérias da cidade.

Não há engarrafamento no trânsito e o tráfego, até nas vias mais movimentadas, flui contínuo e silencioso.

A paisagem urbana conjuga arquitetura milenar e contemporânea mesmo na parte moderna da cidade. Mas o que me tirou o fôlego mesmo foi a primeira visita ao Centro Histórico, que guarda vestígios da ocupação moura em edificações preservadas por séculos.

 

Centro histórico

Margem do rio Genil

Granada foi edificada na ampla depressão formada pelo rio Genil, para o qual confluem os rios Darro e Beiro.

Nosso caminho a pé até o Centro Histórico se deu a partir do Genil, margeado por calçadas no nível mais alto e, em alguns trechos, por passarelas de pedestres no nível da água, às quais se tem acesso por escadas.

Naquela primavera, a passarela estava emoldurada por flores de todos os matizes na maior parte do caminho.

Para chegar ao Centro, viramos na Acera Del Darro, passando pela Fonte de Las Granadas e seguimos pela Carrera de Las Virgens, que passa pela fachada da linda Igreja da Virgen de Las Angustias.

Chegamos por ela à Calle de los Reyes, que percorremos por um pequeno trecho, passando pela Plaza Del Carmen, onde fica a Prefeitura, para entrarmos por um beco que levou à Plaza Bib-Rambla, que concentra lojinhas e quiosques de vendas de suvenires.

Plaza Bib-Rambla

Dali meus anfitriões me conduziram por outro beco, onde tive meu primeiro grande choque de encantamento na cidade. Em um instante, estava apreciando lenços em uma vitrine. No outro, ao me virar, quedava boquiaberta ante a fachada grandiosa da Catedral de La Encarnacion, construída no século 14, após a tomada da cidade pelos reis Felipe de Castela e Isabela la Catolica.

Fachada da Catedral de la Encarnacion

Com projeto assinado pelo arquiteto Diego de Siloé e contribuições dos arquitetos e artistas Enrique Egas e Alonso Cano, o templo católico representa o Renascimento Espanhol. Particularmente, o entendi como uma resposta católica à opulência da cultura moura, cujos vestígios ainda podem ser encontrados até hoje por toda Granada, ainda habitada também por muçulmanos – pelas ruas, em meio a turistas, vê-se mulheres de véu na cabeça trajando trajes caríssimos e joias idem.

Interior da Catedral de la Encarnacion

A catedral valeu um tour guiado por seu interior suntuosíssimo (5 euros a entrada), que permite a apreciação de vários altares com esculturas e pinturas da mais rica arte sacra do período.

O tour termina em uma lojinha de suvenires com saída na direção da Gran Via de Colón, a avenida principal do Centro. Por ela voltamos à praça Isabela La Catolica e seguimos pela Calle de los Reyes até a Plaza Nueva, que abriga o edifício (também de arquitetura secular) Palacio de La Justicia, entre outras edificações antigas ocupadas por pequenos comércios.

Palacio de la Justicia

 

“A rua mais linda do mundo”

Hora de entrar na que meu anfitrião, Eduardo, considera “a rua mais linda do mundo”: Carrera Del Darro, que, obviamente, margeia o rio Darro.

Carrera del Darro, “a rua mais linda do mundo”, segundo Eduardo.

Igreja de São Paulo e São Pedro Apóstolos

Caminhamos a pé por seu leito carroçável de pedras, ladeado, no caminho, por mais edificações do período medieval. Entre elas, a Igreja de São Pedro e São Paulo Apóstolo.

Por ela chegamos ao Paseo de los Tristes – assim chamado por ter sido, no passado, o caminho para o cemitério – de onde se vislumbra, de um lado, no alto de uma montanha, a fortaleza de Alhambra (sobre a qual escreverei numa próxima postagem). De outro, as ruelas medievais do bairro Albaicín, de origem cigana, que também conduzem montanha acima.

Andar pelas ruelas estreitas e sinuosas do bairro dá a deliciosa sensação de imersão em tempos antigos, com seu casario modesto conservado, a despeito das lojinhas de artigos atuais que encontramos pelo caminho.

No ponto mais alto do bairro está o Mirador de San Nicolás, de onde turistas podem tirar fotos panorâmicas maravilhosas da cidade e, particularmente, da fortaleza de Alhambra, que nos observa agora do mesmo nível, do outro lado do vale do Darro.

Vista do Mirante de San Nicolás

Ao longe, a silhueta da Sierra Nevada, que nos espreita de qualquer canto da cidade.

Descobri que mirantes, talvez por nos colocarem mais próximos do céu, são bons lugares para nos sentirmos gratos pela vida!

 

Galeria
(fique em qualquer imagem para ampliá-la)

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Amor de turma

Uma vez, assistindo na TV a um encontro de bandas brasileiras de rock dos anos 1980, ouvi de Paula Toller (ex-Kid Abelha) a expressão “amor de turma”, referindo-se ao sentimento que unia todos os músicos ali. Nunca mais esqueci, até porque ela volta à minha memória toda vez que me reencontro com um repertório de rock daquela época.

No último 4 de agosto a expressão me voltou enquanto eu ouvia a banda 33, de Ribeirão Preto, e depois o Ira! (com os remanescentes Nasi e Scandurra), no Invicta Nocaute Festival, evento de fábrica de cerveja artesanal de minha cidade.

Nasi continua desafinado e Scandurra arrasando na guitarra, que ele ainda toca invertida, porque canhoto (feríssima!).

Ainda é o Ira! E o “amor de turma” estava lá.

Gordo (que é bem magro, por sinal…rs) à direita na foto

Mas os melhores momentos foram com a banda 33, do “Gordo” (que é bem magro, na verdade…rs), baixista da minha época de faculdade, que eu não assistia há uns 20 anos, pelo menos. Ele já curtia rock naqueles tempos. Pelo repertório da sua 33, ainda curte os mesmos de então… os mesmos que eu, que todos nós naqueles anos de poetas jovens, bem letrados e idealistas, do quilate de Renato Russo, Herbert Vianna, Cazuza…

“Disciplina é liberdade / Compaixão é fortaleza / Ter bondade é ter coragem”

“We will… we will rock you!”

“Se eu tô alegre eu ponho os óculos e vejo tudo bem…”

“See the stone set in your eyes / See the thorn twist in your side / I’ ll wait for you…”

“Migalhas dormidas do teu pão / raspas e restos me interessam”

Gordo é irmão do “Véio” (Evandro Navarro), também músico, mas mais da MPB. Família abençoada deve ser esta, de gente que faz música com competência e brilho nos olhos.

Que bonito ver pessoas que não deixaram o tempo e as demandas da sobrevivência traírem suas vocações, que fazem de uma paixão seu projeto de vida!

Bom demais ver que o Gordo, grisalho (cinquentão?), ainda se arrepia cantando músicas de nossa época! Na “saideira”, com o público todo cantando à capela “Pais & Filhos”, do Legião, mostrou tatuagens nos dois braços. Entendi que deviam ser os nomes dos filhos (acertei, Véio?).

“Você culpa seu pais por tudo / Isso é absurdo / são crianças como você / o que você vai ser quando você crescer…

Ave, música!

Valeu, Gordo!

Beijo, Véio!

“É nóis”!

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Meu Ofertório

A gratidão é um sentimento tão bom de sentir!

Hoje meus agradecimentos são múltiplos.

Obrigada a Caetano por existir… por ter tido Moreno, Zeca e Tom.

Obrigada a Moreno por ter aceitado a herança leve e diáfana de seu pai… obrigada a Zeca e Tom por saírem a sua imagem e semelhança e ainda assim serem tão únicos.

Obrigada por assimilarem a liberdade de um rebolado, de um beijo masculino no rosto de outro homem, por compartilharem seus dons, que em vocês Deus abençoou com tanta generosidade.

Obrigada por suas vozes tão exatas em meus ouvidos, por seus carismas arrebatadores, seus acordes tão além de tudo.

Obrigada Caetano… mil vezes obrigada por tornar a trilha sonora de minha vida tão rica, prazerosa e poética. Porque poesia transcende e preciso sair de mim de vez em quando para não enlouquecer ou morrer em vida.

Obrigada por todas as suas músicas, mas particularmente hoje por “Sem Lenço, Sem Documento”, “Trem das Cores”, “Oração ao Tempo” e principalmente “Força Estranha”… porque entendo sobre forças estranhas que nos levam a cantar e cantar e cantar… “por isso é que eu canto e não posso parar”.

Obrigada a todos os músicos da minha vida por alcançarem dentro de mim códigos que só a poesia sabe acessar… obrigada por emergi-los e inundar com eles meu consciente, fazendo transbordar emoções até então insuspeitas.

Obrigada Deus pela capacidade de transcender pela arte que coloca dentro de cada um de nós.

E por fim, obrigada meu amor por compartilhar tudo isso comigo.

Amém.

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‘Vá, coloque um vigia’…

“Porque assim me diz o Senhor: ‘Vá, coloque um vigia de prontidão para que anuncie tudo o que vier’.”
Isaías, 21:16

Saiu deste trecho da Bíblia o título do livro “Vá, Coloque Um Vigia” (2015), sequência do clássico “O Sol É Para Todos” (1960), vencedor do Pulitzer de 1961 – entre outros prêmios literários. Acompanhou seu lançamento a aura de “livro perdido de Harper Lee”, já que, apesar de escrito, provavelmente, na mesma década do primeiro, seu rascunho foi encontrado só há pouco mais de quatro anos, entre o espólio da autora (não se sabe por que ela não o deu a publicar antes). Seus herdeiros autorizaram a publicação nos Estados Unidos em 2014. Harper estava, então, senil perto dos 90 anos, sem condições de opinar a respeito – veio a falecer em 2016.

No livro, o versículo de Isaías é interpretado como uma metáfora da consciência (“Vá, coloque um vigia” para sua consciência…), fonte dos tormentos da protagonista durante seu processo de amadurecimento, descrito na obra.

Gregory Peck é Atticus Finch, Mary Badham é Jean Louise ‘Scout’ Finch e Phillip Alford Jeremy ‘Jem’ Finch no filme “O Sol É Para Todos” (1962)

E a protagonista é ninguém menos do que a querida Scout, apelido pelo qual Jean Louise Finch é tratada por todo o primeiro livro. Narrado em primeira pessoa por ela, dos 6 aos 10 anos, “O Sol É Para Todos” descreve, pelos olhos da menina e de seu irmão mais velho, Jem (de Jeremy), o processo em que o pai de ambos, o advogado Atticus Finch, defende um negro injustamente acusado de estupro por uma branca. Isso na pequena comunidade sulista – entenda-se extremamente racista – de Maycomb, no Alabama (EUA).

Vá, Coloque Um Vigia” encontra Scout adulta, aos 26 anos, com consciência e valores praticamente indissociados dos de seu pai. Entre flashbacks de sua adolescência e de sua ida para Nova York, acompanhamos a jovem descobrir-se um “peixe fora d’água” na cidade natal, até sofrer o “choque de realidade” que a fará rever o altar moral no qual colocava Atticus.

Neste ponto, a narrativa, que vinha morna e saudosista, comparando a velha e a atual Maycomb, mergulha em diálogos filosóficos: entre Jean Louise e sua própria consciência; entre ela e seu velho tio Jack (o médico intelectual-pensador da família), dela com o namorado e… o derradeiro… entre a protagonista e seu pai. No cerne de todos eles, a sociedade e seu comportamento de “manada”, seus preconceitos de raça e credo, temas atuais ainda hoje (infelizmente!), passados quase 60 anos.

Jean Louise precisa emergir de todos esses embates morais com identidade e valores próprios e, para isso, terá que decretar algumas “mortes” (de ao menos um ídolo, da própria inocência, entre outras personas).

Harper Lee em uma de suas últimas fotos, por volta dos 80 anos

Para quem aprecia leitura para além do simples entretenimento, é um prazer deixar-se enredar por esses diálogos, embalados por um humor irônico, que, em minha opinião, são a maior prova do grande intelecto da autora.

Por tudo isso, “Vá, Coloque Um Vigia”, como seu antecessor, é um daqueles livros para se ter e reler sempre que precisarmos nos reconectar com nossas noções de humanidade.

Super recomendo!

 


O Sol É Para Todos” foi adaptado para o cinema em 1963. Dirigida por Robert Mulligan (de “Houve Uma Vez Um Verão”), sua versão cinematográfica rendeu o Oscar de Melhor Ator para Gregory Peck (na foto com a autora, Harper Lee, em 1962, durante as filmagens), e de Melhor Roteiro Adaptado para Horton Foote. Também virou clássico! (Na torcida para algum diretor decidir filmar sua sequência em 3, 2, 1…)

 

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Diário de Viagem: Granada

Sierra Nevada: a primeira visão

Dormia no ônibus que nos trouxe de Madri quando a desaceleração me despertou. Entrávamos em Granada, a milenar cidade espanhola (desde o século 13, pois sua origem é árabe) que hoje é o lar de Clara e Eduardo – desses amigos que a gente sabe que terá (e amará) para a vida toda.

A primeira visão que tive da janela foi de um ajardinado colado a um pequeno viaduto, donde se destacou, para meus olhos, uma arvorezinha de flores liláses. Brotou-me um sorriso involuntário (“bom presságio!”).

Logo que o ônibus livrou-se do pequeno congestionamento à entrada, Clara chamou minha atenção para a visão dos picos sempre brancos da Sierra Nevada, que – eu descobriria – pode-se buscar de qualquer ponto da cidade.

Depois o metrô de superfície, que os usuários pagam eletronicamente ao entrar – nenhuma roleta ou fiscal obrigando a cobrança, apenas a consciência dos usuários -… a primeira caminhada por ruas que conjugam arquitetura milenar e contemporânea… o espaço urbano amplo, limpo, calmo… o trânsito “silencioso” apesar de intenso.

Por uma e outra calçada, bicicletas amarelas que se pode pegar, usar e deixar em qualquer outro ponto para serem usadas por outras pessoas – nunca são furtadas ou vandalizadas.

Não vi carros velhos pelas ruas. “Não vale a pena manter os com mais de cinco anos, com todas as revisões exigidas por lei e impostos”, explica Clara.

Com Du e Clara em ruela do bairro Albaicín, de origem árabe

Mas o casal não tem carro aqui. Tampouco usa muito o barato, eficaz e confortável sistema de transportes da cidade. Desde que se mudaram em definitivo, em novembro de 2017, Clara e Du fazem todos os percursos por Granada a pé – inclusive os passeios pelos bairros íngremes, que expandem-se colinas acima dos rios Genil e Darro e que mantêm os traçados de ruelas estreitas do período medieval, proibindo o trânsito de automóveis.

Eu os tenho seguido alegremente desde a última quarta, a despeito das canelas ressentidas pelo prolongado sedentarismo e das bolhas causadas por um tênis novo (erro primário!).

Percebo que observam com amoroso prazer meus sustos emocionados, minhas descobertas do quão lindo pode ser o mundo.

Hoje o domingo amanheceu frio, finalmente – a primavera na Espanha é feita de dias ensolarados e temperaturas amenas, em torno dos 24 graus -, convidando-me a esta escrita, que “costuro” no sofá da sala, devidamente aconchegada sob uma mantinha felpuda.

Evoco as saudades de meus entes queridos, que a estas horas de nossa manhã aqui devem estar mergulhados no sono da madrugada de lá. Envio-lhes uma prece amorosa e peço que me aguardem “un poquito más”.

Quando voltar, cheia de saudades e histórias, lhes contarei tudo sobre o quão lindo (e civilizado) ainda pode ser o mundo.

Granada (Espanha), 29 de abril de 2018.

 

GALERIA

 

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Porque acho ‘Harry Potter’ universal e atemporal

Logo que a febre em torno da série Harry Potter chegou ao Brasil, há 20 anos, torci o nariz pensando: “se é best-seller, não deve ser bom” (nós e nossos preconceitos!). Mas minha auto-regra, de só me permitir criticar o que conheço, salvou-me.

Fui ler. E não consegui parar! Passei até a experimentar uma espécie de “síndrome de abstinência” (uma tristezinha misturada com um desejo louco de “quero mais”) cada vez que terminava um livro, tão viciada ficava na leitura.

Apesar de a obra estar catalogada como infanto-juvenil, eu já tinha uns 30 e poucos anos quando aderi a seu fã-clube. Conheci, desde então, algumas dezenas de amigos da mesma geração ou mais velhos que também a adoram. Somos a prova de que obras de qualidade dialogam com todas as faixas etárias.

Como?

Explico do meu ponto de vista, a seguir:

Universal

Além de muito bem escritos e cuidadosamente bem traduzidos (Deus sabe como isso é importante!), os livros da saga Harry Potter agregam vários gêneros sob o guarda-chuva da ficção infanto-juvenil: suspense, romance, toques de terror e doses cavalares de críticas social e política – estas últimas explicitadas no universo/cenário que a autora constrói para seus personagens atuarem.

A narrativa é cheia de camadas de mensagens. Cada leitor alcança um número delas, conforme o tamanho de seu repertório interno. As crianças, por exemplo, alcançam a camada mais exposta dessa construção, que é a aventura em si. Os adolescentes avançam uma além, ao reconhecerem nos personagens dúvidas e desejos comuns nesta fase da vida (escolha de modelos, primeiros amores, o peso de ser diferente, etc). E os adultos (bem informados) são aptos a enxergar arquétipos contemporâneos e representações de estruturas sociais e de poder disfarçados por uma embalagem de fantasia.

E a fantasia é de respeito! Criativa, inteligente, cheia de referências culturais e filosóficas que estimulam o leitor a buscar mais conhecimento. Parece que a obra está só entretendo, mas está também enriquecendo o repertório do leitor e instigando-o a buscar mais informações.

Representações

Vamos a alguns exemplos de tipos sociais  encontrados na saga Harry Potter:

  • o gênio do crime (Voldemort);
  • o aristocrata arrogante (Malfoy);
  • o ditador (ministro da Magia Cornélio Fudge);

Professor Dumbledore

  • o guia inspirador (Professor Dumbledore);
  • os heróis da resistência (os bruxos da Ordem da Fênix e, depois, da Armada de Dumbledore);
  • “O” herói (Harry), que se encaixa no conceito do pensador norte-americano Joseph Campbell (A Jornada do Herói).

O ministro Cornélio Fudge

Entre as representações está a de uma muito familiar à nossa história recente. No quinto livro (“Harry Potter e a Ordem da Fênix”), a autora descreve brilhante e didaticamente um regime de opressão, quando o Ministro da Magia, determinado a manter seu poder, envia uma inquisidora à Escola de Magia Hogwarts.

Dolores Umbridge

Instruída a controlar e censurar informações, a vigiar e identificar potenciais opositores do governo, Dolores Umbridge lança mão de medidas autoritárias, que vão de leis usurpadoras das liberdades individuais até torturas físicas (como a escrita de sangue em uma mão de Harry).

A criança pode não fazer esse tipo de paralelo logo que lê a história, mas seu inconsciente fará a ligação quando atingir a idade certa. Adolescentes e adultos o farão em seus próprios termos e conforme – repito – seus repertórios internos e, ainda, suas aberturas à reflexão (nem todos estão dispostos).

Atemporal

Considero genial a autora distribuir a saga Harry Potter por sete livros, sendo um para cada ano da vida de seu protagonista, durante um período nevrálgico da formação humana (dos 11 aos 17 anos). Sobretudo nas culturas ocidentais, é a fase em que ocorrem os ritos de passagem da infância para a adolescência, que, em si, já são uma preparação para a entrada na vida adulta. Todo ser humano, em qualquer era da história conhecida, passa por esses ritos, o que também torna a saga atemporal.

Assim é que, no primeiro livro, o bruxinho e toda sua geração assemelham-se a “telas em branco” prestes a terem iniciada a “pintura” do adulto que serão. As tintas são as experiências pelas quais passarão, e os pincéis, as escolhas que cada um fará diante de cada situação.

O padrinho Sirius Black lida com as dúvidas de Harry: ‘todos temos o bem e o mal dentro de nós’

Sabiamente, a autora bate muito na tecla das escolhas como determinantes do destino, acima da genética e da crença comum de que existe um roteiro pré-traçado para cada pessoa.

Harry, por exemplo, passa grande parte da saga atormentado pelo medo de estar condenado ao mal, como Voldemort, já que teve uma primeira infância muito similar à do vilão e carrega uma ligação interna com ele desde o episódio traumático da morte de seus pais. É lindo ver como ele vai, aos poucos, chegando à conclusão de que pode escolher e que tudo o que viveu até ali o municia para essa tomada de decisão.

Amizade e amor: norteadores de escolhas

Seus coadjuvantes mais próximos – e em uma certa medida, co-protagonistas –, Roni e Hermione, atravessam os mesmo ritos, cada um a seu modo, a partir da própria bagagem interna, mas com um sentimento comum a uni-los que faz toda a diferença na hora das escolhas: a amizade.

Não por acaso o mesmo sentimento necessário para seguirmos a premissa ética “fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem a nós mesmos” – variação racional de um ensinamento deixado por um cara famoso, há cerca de uns 2 mil anos.

Por tudo isso, não tenho dúvidas: “Harry Potter” não é só o fenômeno editorial de uma geração, mas um clássico. É para sempre!

 

Leia mais sobre a saga do bruxinho neste blog em: Lições que podem salvar uma geração

 

GALERIA (clique numa foto para ampliá-la e abrir a galeria)
Nos filmes, atores também passam da infância à adolescência sob os olhares do público

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Peregrinas ribeirão-pretanas na Via Francígena

Silvia Pereira

Venho acompanhando de longe, com uma “invejinha branca” – confesso! -, mas também morrendo de orgulho, a aventura de três amigas queridas: Sheilinha, Marcinha  e Adriana, que conheço desde a faculdade de Jornalismo. Elas formam, com outras quatro ribeirão-pretanas – RenataVera, KeleRegiane -, o grupo Peregrinas Mundo Afora, que percorre desde o dia 18 a Via Francígena (rota medieval de 2.000 km, que começa na cidade inglesa de Canterbury e termina na italiana Roma).

Minhas queridas planejaram percorrer parte dela – 900 km, de Gran San Bernardo (Suíça) a Siena (Itália) -, durante 30 dias (!!!), dormindo cada dia em um lugar e levando cerca de 7 kg de bagagem às costas.

Não é a primeira peregrinação para algumas delas, que iniciaram-se no Caminho de Santiago – se não me engano em 2013. E não pararam mais de caminhar, seja em suas próprias vizinhanças, no dia-a-dia, ou por trilhas em meio à natureza desse Brasil tão cheio delas.

Seguem com elas, na viagem, desejos de integração à natureza, de conhecimento genuíno das pessoas pelo caminho e reflexão sobre todas as experiências que vierem.

Leio na fanpage do grupo que a ideia da atual caminhada foi de Sheilinha e sua amiga Renata. Surgiu a partir da leitura de “O Filósofo e o Peregrino”, do brasileiro Marcos Bulcão, que traz relatos dessa mesma viagem recheados de informações históricas e reflexões filosóficas.


“Seguem com elas desejos de integração à natureza,
de conhecimento genuíno das pessoas pelo caminho
e reflexão sobre todas as experiências que vierem”


Seguiram-se dois anos de preparativos, pesquisas e planejamento, no qual ficou definido que andariam uma média de 25 km por dia, numa variação altimétrica inicial de 2.500m.

No caminho, desafiam pés, músculos e articulações a driblarem bolhas, infecções, dores e lesões. “Um exercício de perseverança e fé”, segundo elas.

É Sheilinha quem me explica que cada uma das sete peregrinas tem sua própria motivação interna, mas as une um desejo comum de “uma viagem entre amigas com alto grau de dificuldade e, ao mesmo tempo, em meio a paisagens deslumbrantes”.

E como ninguém é de ferro, está nos planos premiar o corpo com degustação de pratos e bons vinhos locais.

Posso bem imaginar os prazeres e o sentimento de completude que essas moças devem estar experimentando a cada etapa da jornada.

Estou seguindo com elas, pela fanpage, morrendo de vontade estar lá.

Na próxima, se Deus ajudar – e elas permitirem -, quero estar!

 

Abaixo as primeiras fotos da jornada postadas por elas na fanpage:
(Clique em qualquer uma para ampliar e abrir a galeria)

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Obrigada, Paralamas!

Chorei sim! E não foi a primeira vez em um show do Paralamas do Sucesso.

Há alguns anos, no Sesc Araraquara, era a primeira vez que via Herbert Vianna no palco após ele quase ter morrido numa queda de avião. O vocalista e guitarrista ainda não formulava bem as frases. Seu cérebro se recuperava do acidente grave que levou a mãe de seus três filhos, mas a (grande) habilidade na guitarra continuava lá, e o som do Paralamas, que por muito tempo achamos que não faria nada novo, seguia vigoroso, vivo, eletrizante! Como não se emocionar sendo fã de carteirinha?

No último sábado, em Ribeirão Preto, o show da turnê “30 Anos” não era para chorar. Bem ao contrário… uma paulada sonora, que a acústica perfeita do Centro de Eventos do RibeirãoShopping turbinou bem!

Por 1h inteira, sem paradinhas pra respirar, Herbert, Bi (no baixo) e Barone (bateria) e seus fieis escudeiros (o tecladista João Fera, o saxofonista Monteiro Jr. e o trombonista Bidu Cordeiro) encadearam alguns dos melhores exemplares do seu rock brasileiro com pegada latina: “Vulcão Dub”, “Alagados”, “Cinema Mudo”, “Ska”, “Perplexo”, “O Calibre” (rockaço!), etc, entremeados de baladas não menos empolgantes, como “Lanterna dos Afogados”, “Tendo a Lua”, “Quase um Segundo”.

O público até se manteve – visivelmente a contragosto, a julgar pelas “cadeiras dançantes” – sentado por boa parte do show, como obriga a estrutura da sala. Mas então, lá pela 10ª, 11ª sequência, “Meu Erro” explodiu do palco e pareceu uma ação combinada: não teve quem, de adolescentes imberbes a sessentões (tinha de todas as idades), não chacoalhasse os esqueletos. E seguiu assim por “A Novidade”, “Melô do Marinheiro”, “Perplexo”, “Loirinha Bombril”…

E em “Óculos”, quando Herbert editou o refrão – “por cima dessas rodas também bate um coração”-, uma ovação foi a resposta.

No Bis, mais alguns sucessos e covers de “chegados”, como Lulu Santos e Ultraje a Rigor. Pra não perder a verve de contestação que sempre os acompanhou, “Que País É Este”, do Legião, encerrou com chave de ouro.

Claro que cantei todas, dancei todas, sentada, em pé… e chorei em algumas. Novamente de gratidão. “Vi o meu passado passar por mim”: a adolescente problemática, a jovem adulta batalhadora, a mulher madura estressada… para todas o som desses caras criaram oásis de alegria e festa no meio de cotidianos difíceis. E os versos enganadoramente banais de Herbert sempre me falaram muito mais do que as palavras que eles encadeiam: “Eu hoje joguei tanta coisa fora” – a lição de desapego de “Tendo a Lua” muito menos sobre “cartas e fotografias” do que “gente que foi embora”.

Fico pensando se nossos ídolos fazem alguma ideia do quanto entram em nossas vidas e as influenciam. No caso dos Paralamas, pulsa em mim um “amor de turma” – para citar a Paula Toller – cheio de gratidão, ternura e reverência. Se eu nunca tiver a oportunidade de dizer isso pessoalmente a eles, que fique ao menos este testemunho público: obrigada, caras! Vocês trouxeram (trazem) muita alegria à minha vida.

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