Pandora

Escrevo esta crônica sob encomenda, de homenagem pedida e com gratidão cerzida numa oração.

Meu amor pede homenagem a dois seres que se amaram muito na Terra e devem estar brincando juntos agora no céu.

Pandora, nossa Pan… minha “sobrinha” labradora linda, amada e amável até o fim foi encontrar nosso Nando em outro lar.

Já andava numa tristeza de lastimar, sem entender pra onde tinha ido um de seus “pais”, que partiu de repente, sem aviso e preparação nenhuma pra nossos corações.

Vi a Pan chegar filhotinha a nossas vidas, com certificado de pedigree e tudo e já com uma displasia que parecia desconjuntar seu quadril quando andava.

Mas quem disse que isso lhe freava a hiperatividade? Não andava, corria. Não abraçava, derrubava-nos pulando com as duas patas em nosso peito pra cobrir de lambidas nossos rostos e de cheiros nervosos nosso cangote.

Quando estava pra chegar de visita à casa de minha sogra, onde me hospedo em Jaú, Marcio vinha avisar: “Põe sua roupa de guerra”. E lá ia eu rolar com a Pan pelo quintal amplo deixando minha roupa da cor do chão.

Por esse quintal ela corria numa alegria de dar gosto atrás das bolinhas que jogávamos de um pro outro para exercitá-la – três marmanjos se lambuzando daquele amor delicioso que as crianças e os PETs conseguem despertar.

A brincadeira sempre acabava com o Nando enchendo uma bacia grande de água pra ela se jogar dentro extasiada de prazer.

Como boa labradora, amava água. Cumpria feliz o compromisso semanal de exercitar-se em um aparelho fisioterápico – espécie de esteira montada dentro de um tanque d’água – no consultório de uma veterinária, para tratar a displasia. Nadava com desenvoltura e prazer genuíno com o Nando na piscina de sua casa.

Dava gosto ver como amava esse “pai”. Deu dor em nossos corações saber que ela mergulhou numa tristeza só depois que ele se foi (ainda agora me fecha a garganta lembrar).

Mas não há mais pelo que chorar. Deus sabe o que faz. Chamou a Pan pra junto do Nando ontem de manhãzinha e agora eles devem estar correndo juntos pelos campos do Senhor (nosso amor com eles).

Amém!

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