Em um dos meus primeiros textos postados neste blog comento que tive acesso a muitas obras literárias graças a filmes que assisti (procurando as obras que os inspiraram ou simplesmente os títulos citados em seus diálogos).
Pois acabo de encontrar outra preciosidade literária, não por acaso citada em uma comédia romântica que flerta descaradamente com a literatura: “O Clube de Leitura de Jane Austen”. Um dos personagens – o único homem em um grupo de mulheres que se reúne mensalmente para comentar os livros da escritora inglesa – passa o filme todo tentando convencer sua paquera a ler a obra de Ursula K. Le Guin, escritora de ficção científica norte-americana sobre quem eu nunca havia ouvido falar antes.
Demorei a me decidir por ler algo de Le Guin porque são poucas as suas obras editadas no Brasil – e as poucas publicadas não estão facilmente disponíveis nos sites em que mais confio para comprar online. Quando, enfim, consegui adquirir “A Mão Esquerda da Escuridão”, sua obra mais elogiada pela crítica, não consegui largar o livro.
É ficção científica que não deixa nada a dever a clássicos como “Admirável Mundo Novo”, por exemplo. Le Guin cria um mundo geologicamente muito semelhante ao que teria sido a Terra na Era Glacial, mas habitado por seres humanos ambissexuais (todos têm os sexos feminino e masculino e podem procriar) e com um código de conduta completamente estranho a tudo o que conhecemos.
Neste mundo pousa um humano do sexo masculino, enviado por uma entidade interplanetária, com o objetivo de propor a seus governantes sua adesão a uma aliança composta já por nove planetas. O humano enfrenta o descrédito, o preconceito, os choques cultural e psicológico e ainda a solidão de pregar novas ideias em um mundo completamente diferente dos que conhece.
Não darei mais detalhes para não estragar a surpresa de quem aceitar a dica, mas posso adiantar que os regimes de governo e as “realidades” inventadas por Le Guin no livro provocam as mais doidas e impensáveis reflexões, mesmo nas mentes mais abertas.
E adooooooro ser surpreendida por novos questionamentos, por isso a ficção me encanta tanto.
Fica a dica de leitura e um desafio maior aos diretores de cinema de todo o mundo que ainda não descobriram a escritora: ATREVAM-SE a filmar Ursula K. Le Guin! É ficção diferente de tudo o que o cinema já filmou antes.
Cena 1:
Com o sinal verde de Michael para casar da melhor forma a força de sua música à imagem em movimento, os diretores de seus clipes, recrutados no cinema, como John Landis e Spike Lee, deixavam a criatividade rolar, sempre auxiliados pela melhor e mais recente tecnologia que o dinheiro podia pagar. Vide “Black and White”, primeiro clipe a usar o efeito morfo para mostrar imagens de pessoas de várias raças transformando-se umas em outras, ou “Stranger in Moscow”, que usou o recurso da câmera ultra lenta de uma forma inédita para a época.
Considero Ralph Fiennes um ator completo, por dominar tanto linguagem corporal quanto expressão facial, voz e timing de cena. Mas o que mais me atrai nele é, sem dúvida nenhuma, seu meigo e expressivo olhar, que ele sabe tornar ora sensual, ora doce, às vezes, implacável e, quando preciso, assustador.
É verdade que ajudou ter sido Tom Cruise a dar vida ao personagem-título de “Jerry MaGuire” (foto à esquerda), um executivo até então carreirista que, num surto de humanidade, passa a ser frito na empresa em que trabalha depois de distribuir um manifesto pregando um tratamento mais humano aos clientes. Colegas e clientes, com exceção de uma secretária idealista e um cliente também com complexo de “perdedor”, passam a fugir dele como o diabo da cruz. Claro que ele encontrará uma forma de se reinventar, como profissional e ser humano.
Já “Pequena Miss Sunshine” conquistou público e crítica com a história de uma família inteira de fracassados, formada por um pai metido a coach motivador, um avô viciado em heroína, um adolescente depressivo que não fala há nove meses, um tio gay que acaba de tentar suicídio, uma dona-de-casa insatisfeita e uma filha gorducha e míope – única a dar aulas de auto-estima a todos. É a pequena quem motiva a família toda a atravessar o país numa Kombi velha para levá-la participar do concurso que dá nome ao filme. Nas situações inusitadas e hilárias que ocorrem pelo caminho, eles descobrem uma nova forma de agir como família e, de quebra, nos fazem refletir sobre a complexidade e as armadilhas que encerram os conceitos de “fracasso” e “sucesso”.


Fã que sou da série “X-Men”, estava ansiosa para assistir ao produto da franquia que conta a história pregressa do seu herói mais carismático. Mas “X-Men Origens: Wolverine” (Men Origins: Wolverine, EUA, 2009) me decepcionou, apesar de reunir os principais requisitos de um eficiente filme de ação. Para mim, a produção fica aquém da proposta maior da série, de provocar reflexão sobre os vieses inconscientes que nos levam a temer e segregar o diferente.
“Sempre tive medo de pessoas que têm certeza de tudo”.
A “formulização” dos roteiros de cinema pela grande indústria torna cada vez mais raro eu me divertir com uma comédia romântica. É que assistir muitas vezes a filmes que seguem a mesma fórmula de roteiro, feita para atrair grandes bilheterias, faz a gente adivinhar o que vai acontecer e até sentir muita vergonha alheia com cenas e diálogos piegas ou desfechos forçados. Um saco, né?!
Tenho uma inveja boa da geração que cresceu assistindo/lendo à série Harry Potter. A minha não contou, no cinema, com um produto dramatúrgico que lhe alcançasse tão certeiramente neste período crucial de passagem da infância para a adolescência. Descontados os resumos inevitáveis para fazer caber a história de cada livro nos roteiros de cinema, a saga do bruxinho resultou muito bem filmada e interpretada para as telonas. Acaba sendo um suporte visual para a mágica obra literária de J. K. Rowling, que soube dosar com maestria em seu caldeirão doses de fantasia, mitologia, arquétipos psicanalíticos e temas caros ao universo infanto-juvenil.