‘The Imitation Game‘, 2014
INDICAÇÕES: Melhor Filme, Diretor (Morten Tyldom), Ator (Benedict Cumberbatch), Atriz Coadjuvante (Keyra Knitghley), Roteiro Adaptado, Edição, Design de Produção, Trilha Sonora.
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“O Jogo da Imitação” traz como protagonista meu ator preferido da atualidade: Benedict Cumberbatch. que conheci como o Sherlock Holmes mais convincente de toda a tele e cinedramaturgias (em minha opinião) na série da BBC.
Ele não me decepciona. Está maior que o filme, aliás, que achei sem alma – uma costura desapaixonada de episódios da vida do matemático inglês Alan Turing, que ajudou os aliados a vencerem a guerra de uma trincheira diferente. Em um galpão de Bletchey Park (centro de inteligência inglês) ele montou a máquina que ajudaria a decifrar os códigos de comunicação nazistas, lançando as bases para o desenvolvimento dos computadores como o conhecemos hoje.
Na composição que Cumberbatch faz do matemático não encontramos nenhum traço de seu arrogante Sherlock ou de seu vingativo e indestrutível John Harrison (“Star Trek – Além da Escuridão”).
Seu Alan Turing é um gênio frágil. Como sói acontecer entre os de sua espécie, é confiante de sua capacidade, obstinado em seus objetivos e extremamente antissocial – sua literalidade, que faz lembrar portadores de Síndrome de Asperger, o impede de entender as senhas sociais da convivência em grupo (entendo isso muito bem… rs).
Sua fragilidade emocional é traída pela gagueira que o acomete em instantes de tensão e seu evidente sofrimento ante o deslocamento social. Homossexual numa época em que isso era crime punível com cadeia ou castração química, Turing terminou seus dias atormentado e solitário.
Por si só sua história poderia render um drama lacrimoso. Louvável a intenção – se ela existiu – do diretor Mortem Tyldum de evitar o apelo sentimentalóide, mas acho que ele exagerou na dose de distanciamento. Não fosse Cumberbatch o grande ator que é, dificilmente nos colocaríamos em seu lugar nos momentos que deveriam ser de maior tensão.
A cena em que seu superior aparece para destruir sua máquina e levá-lo preso, por exemplo, é de uma construção dramatúrgica simplória. Sorte de Tyldum valorizar o close na expressão angustiada de Cumberbatch. É ela quem dá o tom de clímax que o momento exige. Por aí já dá para perceber o que eu acho de sua indicação a Melhor Ator (e também sobre a de Melhor Edição para o filme).
Quanto à indicação de Melhor Atriz Coadjuvante para Keyra Knitghey, achei exagero. É uma personagem interessante e Keyra não faz mais do que o protocolar.
Até o próximo candidato!

‘Boyhood‘, 2014
Os bastidores do cinema são mesmo caixas de surpresas, às vezes de muito mal gosto. Está sendo surreal para mim conceber que a pessoa por trás daquela presença solar que era Robin Williams na tela foi capaz de renunciar à vida de forma tão amarga. Realidade demais propiciada por alguém que me fez sonhar, rir e chorar em tantas produções – era um dos atores que me faziam assistir a um filme só por ele estar no elenco.

Minha frequência em escrever neste blog é diretamente proporcional à vezes que tenho a sorte de topar com um filme que consegue chacoalhar o meu mundo (qual o sentido em compartilhar impressões sobre histórias apenas bonitas, medianas ou mesmo ruins, não é??). Hoje foi um daqueles dias de sorte!
Em meio a polêmicas sobre racismo, outro filme com a temática que costuma me voltar à memória é “Soul Man” (1986), de Steve Miner – diretor mais conhecido pela direção de produtos para a TV. Seu argumento citava a lei de cotas para negros nas universidades norte-americanos, o que, naquela época, ainda era algo impensável no Brasil.
Deve ser maravilhoso viver na cabeça do francês Jean-Pierre Jeunet. Quem já assistiu a “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, “MicMas – Um Plano complicado” e “Uma Viagem Extraordinária” sabe do que estou falando, pois são filmes que nos fazem sair leves e felizes do cinema.
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O inglês Ralph Fiennes também mostra todo o seu potencial dramático na explosão de dor de seu personagem diante da perda da amada em “O Paciente Inglês“.
Agora vou falar da cena que considero a top entre as tops no quesito. Desafio qualquer coração de pedra a assistir incólume a Al Pacino dar aquele grito sem voz nos minutos finais de “O Poderoso Chefão 3“, para, em seguida, explodir em um uivo de dor! As lágrimas não foram necessárias…