Filmes feitos para a televisão não costumam frequentar listas de recomendações de cinéfilos e sequer constam em menus de sites especializados em cinema. Considero isso uma injustiça, pois alguns dos filmes que mais me tocaram foram feitos especialmente para a TV (como “Olhos Abertos”, por exemplo, dirigido por M. Night Shyamalan muito antes de seu sucesso com “O Sexto Sentido”).
Outro que ficou profundamente marcado em minha memória foi “Noite de Fúria” (“Sudden Fury – A Family Torn Apart”, 1993), cuja ficha técnica não encontro em nenhum site brasileiro de cinema – entre os internacionais, consta apenas no completíssimo Imdb, ainda assim de forma muito sucinta.
Assinado por Craig R. Baxley – um diretor de TV mais afeito a produtos de ação, mas que se saiu muito bem neste drama de suspense -, o titulo sempre volta à minha memória quando me deparo novamente com a questão da maternidade/paternidade. Vem como lembrete do quão sério considero a decisão de criar outro ser humano e do quão errado é baseá-la somente nas expectativas – muitas vezes egoístas – que se tem como pai/mãe.
A história começa com um adolescente (Neil Patrick Harris muito antes da série “How I Meet Your Mother”) em choque vagando, coberto de sangue, por uma floresta. Logo se descobrirá que se trata de Brian Hannigan, o mais velho de três filhos adotivos de um casal exemplar da comunidade, que é encontrado assassinado de forma extremamente violenta dentro da própria casa.
Brian e o irmão mais novo, Chris, de 7 anos, estavam em casa, mas o primeiro não se lembra de nada, e o segundo, apenas de ter visto o irmão do meio, Daniel (Johnny Galecki antes de ser Leonard na série “The Big Bang Theory”), vagando próximo à residência da família. Quando se descobre que Daniel – que cumpria temporada em um reformatório – havia escapado na noite em questão, todas as suspeitas recaem sobre ele.
Brian não acredita na culpa do irmão e ganha no advogado Tom Kelley, vizinho e amigo da família, um aliado. Decidido a defender os irmãos, Kelley inicia sua própria investigação. O que ele começa a descobrir, porém, vai contra a imagem de família perfeita passada à comunidade até então.
Das memórias em família dos irmãos, os Hannigan emergem como pais autoritários, intransigentes e frios, que encaram cada adoção como tentativas de moldarem filhos que se encaixem a um modelo perfeito pré-estabelecido por eles. De índole dócil, obediente e temperamento carinhoso, Brian se encaixa à perfeição ao projeto, o que os estimula a repetir a experiência. Só que o segundo adotado, Daniel, traz uma história pregressa difícil, que o torna um rebelde.
De conflitos em conflitos, conduzidos pelos pais de forma autoritária e nada amorosa, Daniel chega a ser condenado a uma estada de seis meses no reformatório. Em sua primeira saída para visitar a família, os filhos percebem algo errado na maneira formal com que os pais o recebem, em um lanche organizado na varanda de casa. Quando ele tenta entrar para seu quarto, a recusa dos pais esclarece tudo: Daniel está sendo substituído. Foi “reprovado” como filho e está sendo friamente descartado da família, como um brinquedo quebrado.
Um mergulho maior na memória de Brian, até então embotada pelo choque, mostrará que Chris, que passa a ter problemas de aprendizagem, também estava a caminho de uma rejeição quando o crime ocorreu.
Não revelarei a solução do crime, mas, para mim, a violência maior está na forma com que aqueles “pais” egoisticamente dispuseram das vidas de crianças que deveriam amar incondicionalmente.
Os Hannigan nunca praticaram nenhuma violência física, mas muitas psicológicas. Ofereciam aprovação e “permissão para ficar” aos filhos que atendessem a seus altos padrões de exigências e descartavam sumariamente os reprovados. Não consigo pensar em nada mais violento que isso para o emocional de uma criança.
Era uma vez dois mundos. O chão de um começava onde o céu de outro acabava. Um mundo era rico e outro era pobre. E quem nascia em um, não conseguia viver em outro, porque estava aprisionado ao chão pela gravidade de seu próprio mundo.
ADORO um vilão carismático! É o que Benedict Cumberbatch entrega como o Khan de “Além da Escuridão – Star Trek”.
Pense no que pode ser mais impagável do que ver Jane Fonda, 73 anos, com uma farta cabeleira grisalha caindo sobre os ombros, metida em um figurino hippie psicodélico e regurgitando discursos do ideário da contracultura.


Como refletor das realidades de cada época, o cinema já detectou a necessidade de criar obras que dialoguem com – ou retratem – uma parcela da população que só cresce: a idosa. Entre a comédia romântica “Alguém Tem que Ceder” (2003) e o drama “Amor” (Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2013), uma gama de títulos enfocando protagonistas da terceira idade vem sendo lançada em diferentes gêneros.

Algo em um comentário de Rubens Ewald Filho, sobre o roteiro contestar a autoria da obra atribuída a William Shakespeare, chamou minha atenção para o filme “Anonymous” (“Anônimo”), dirigido por um Roland Emmerich irreconhecível. Mais do que o argumento, os apelos combinados de “trama de época” + “teatro como pano de fundo” atraíram-me com a perspectiva de um filme que enaltecesse a palavra e valorizasse as interpretações – características que nunca fizeram o estilo do diretor de “2012”, “10.000 a.C”, “Independence Day” e “Stargate”.