“Indomável Sonhadora” (Beasts of the Southern Wild) não é um filme fácil de assistir.
Esqueça aquela cenografia plástica e perfeita do cinema. O diretor Benh Zeitlin mostra sem filtros, de uma forma naturalista, a pobreza em que vivem moradores de barracos às margens do rio Mississipi, numa localidade que os personagens chamam Bathtub.
Ali, próximos a uma barragem, a pequenina Hushpuppy, de cerca de 5 anos, costuma navegar com seu pai a bordo da carcaça de uma velha camionete transformada em barco, refletindo sobre o “povo do outro lado”.
É um cenário de miséria o que Hushpuppy habita com a maior naturalidade e resignação, como se não houvesse outro possível – ou sequer desejável.
Seu mundo só sofre um abalo quando ela estranha a ausência do pai por um dia inteiro. Quando ele reaparece, envolto em um camisolão de hospital e com uma pulseira de identificação no braço, começa a desconfiar que algo em seu mundo está sob ameaça.
Não demora para que monstros (as bestas do título original) de uma história, contada pela professora que dá aulas à beira do rio, passem a povoar suas divagações, como uma metáfora do seu medo do que está por vir.
E vem muita coisa… tempestade, inundação, destruição e a união dos vizinhos sobreviventes em um “acampamento” improvisado numa palafita.
Toda a realidade é processada pelo olhar ingênuo de Hushpuppy e traduzida por sua narrativa em off, de uma sabedoria pura e ingênua…
A cena do enfrentamento de seu maior medo é pura poesia visual. Tiro o chapéu para Ben Zeitlin por conseguir conjugar imagens de miséria, narrativa poética e metáforas visuais.

O talento de Emma “Hermione” Watson, da série Harry Potter, dispensa comentários. Já quem arrepiou-se com a interpretação de jovem psicopata de Ezra Miller em “Precisamos Falar Sobre Kevin” ou achou que Logan Lerman só sabe interpretar personagens confiantes e carismáticos como Percy Jackson e D’artagnan (“Os Três Mosqueteiros”, 2011) vai se surpreender – e muito – ao ver ambos em “As Vantagens de Ser Invisível” (The Perks of Being a Wallflower, 2012). O filme faz carreira humilde no cinema e nas plataformas de streaming, talvez por não seguir a receitinha manjada de dramas adolescentes, mas se você der uma chance a esta história, não vai se arrepender.
Pense no que pode haver em comum entre uma invernal e limpa cidade dinamarquesa e uma solar e empoeirada vila africana.
Minha predileção pela série “Downton Abbey” tem mesma raiz da que tenho por toda literatura de época e pelo humor ingleses: irônico e implacável, sem firulas… um contraponto, aliás, a todo o mise en scene da vida em sociedade deles. Enquanto nas aparências tudo segue rituais centenários, nas relações nada de meias palavras ou sentimentalismos piegas. Até o romantismo inglês é mais contido e original.
Mas o que mais me emocionou neste início de temporada foi a deliciosa surpresa de ver descer em frente à mansão que dá nome à série, na pele da avó americana de Mary e mãe de Lady Grantam – a senhora de Downton -, ninguém menos que a maravilhosa Shirley MacLaine.
Ainda não haviam acendido as luzes quando o cinema inteiro começou a bater palmas nos últimos acordes de encerramento de “Batman – O Cavaleiros das Trevas Ressurge”, na primeira sessão da meia-noite em uma das salas do Ribeirão Shopping. O meu aplauso foi de pé, porque, como já escrevi antes
Após assistir a “O Espetacular Homem-Aranha” em 3D legendado, tenho a dizer que, para mim, sua grande qualidade é justamente sua maior contradição apontada pela crítica especializada. O filme não entrega o que o adjetivo do título promete: o espetáculo. Mas, sinceramente, não senti a menor falta. Acho que o humor piadista do super-herói nas sequências de ação resultou em um substituto muito eficiente para a pirotecnia visual, que, na trilogia anterior, davam-me uma sensação de “vamos-fazer-uma-pausa-na-história-para-dar-o-show”.
Entre os créditos iniciais de “Hysteria” consta a seguinte advertência: “This story is based on true events… Really“(algo como: “esta história é baseada em fatos reais… ACREDITE”). A veemência é necessária à medida que descobrimos que trata-se da história de como foi inventado, no final do século 19, nada menos que o primeiro VIBRADOR.
Acreditem ou não, filmes de ação costumam me despertar uma imensa preguiça de ir ao cinema porque, ironicamente, as sequências-razão-de-ser do gênero – lutas, tiroteios, explosões, perseguições – são justamente as que me matam de tédio. Quando elas começam chego ao ponto de ficar procurando fissuras no teto ou imperfeições na estante da sala – ou qualquer outra distração para passar o tempo até a história recomeçar do ponto em que a “sessão testosterona” a interrompeu.